Fim do RVD com apenas 2 meses em vigor, decisão precipitada? O que mudou?

O complicado panorama hidro energético ao final do mês de julho, auge do período seco de 2021, formado pelas piores afluências do histórico de 91 anos no SE/CO, com o armazenamento do SIN (Sistema Interligado Nacional) atingindo apenas 35,4% do volume máximo, ou seja, 21,2% menor do que no mesmo período do ano anterior, agregado a uma perspectiva meteorológica incerta e estudos do ONS (Operador do Sistema) indicando a possibilidade de atingimento de volumes abaixo dos 10% para os reservatórios do SE/CO ao final do período seco (outubro), levou o governo a tomar medidas que colaborassem no sentido de enfrentar a crise hídrica, tais como: criação da CREG (Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidro energética), manutenção dos despachos térmicos fora da ordem de mérito e flexibilizações das vazões de usinas hidráulicas, como Jupiá e Porto Primavera.

Para somar esforços nessa perspectiva conturbada de atendimento à demanda 2021/2022, foi criado através da Portaria MME nº 22/2021, o Programa de Redução Voluntária da Demanda (RVD) que consiste em estimular grandes consumidores a diminuírem seus consumos nos horários de maior demanda (período de pico de energia), poupando o uso de reserva operativa (energia proveniente de usinas hidráulicas) para atendimento da carga. O programa de RVD entrou em vigor com expectativa de vigência entre setembro/21 até abril/22, no qual grandes consumidores industriais fariam ofertas de redução de consumo ao ONS (com posterior aprovação da CREG), remanejando seus horários de produção e em troca receberiam uma compensação financeira. O RVD recebeu ofertas a partir de setembro de 2021, que somaram 442MW e 720MW, respectivamente, para os meses de setembro e outubro. Houve adesão de importantes indústrias, entre elas: Gerdau, CSN, Klabin, Suzano, Braskem e Vale.

A partir de outubro de 2021, com a entrada do período úmido dentro do prazo esperado no Brasil Centro-Norte, o armazenamento do SIN ao final deste mês atingiu 25,3%, superando as expectativas indicadas inicialmente pelos estudos do ONS, resultando em um alívio nas condições de atendimento eletro-energético no curto prazo, levando o governo a descartar a possibilidade de racionamento compulsório de energia e riscos de apagões. Fato esse, que em 05/nov levou a suspensão do RVD, antecipadamente, por parte do ONS. Operador justificou que com a melhora das condições hidrológicas não há necessidade de energia adicional para atendimento ao consumo no horário de ponta, uma vez que além dos recursos hídricos, continuará com a geração térmica fora da ordem de mérito para garantir energia firme ao SIN (Sistema Integrado Nacional). Vale destacar que o RVD pode ser retomado até abril/2022, caso seja avaliada a necessidade de recursos adicionais ao atendimento à demanda do SIN.

O cancelamento repentino do RVD causou estranheza por parte do setor industrial (que a cada mês aumentava sua adesão ao programa) uma vez que as incertezas continuam sobre a regularidade das chuvas até março de 2022 (fim do período úmido) e em termos de preços no RVD, as ofertas dos grandes consumidores para outubro, por exemplo, giraram em torno de 703 e 1600 R$/MWh, valores abaixo dos custos das térmicas que continuam gerando por fora do mérito, como por exemplo a UTE Araucária com CVU de 2.553 R$/MWh.

O mecanismo do RVD não merece ser “engavetado” pois foi fruto da união de esforços de várias entidades do setor elétrico como ONS, CCEE, MME para ajustarem as ofertas e efetivarem na operação/contabilização do SIN, além de ser considerado um sucesso dada a adesão crescente do setor industrial. O RVD mostrou que pode ser utilizado não somente como um mecanismo em períodos de grave crise energética, mas também como uma ferramenta útil na melhoria do atendimento da energia, demanda e reserva. Uma vez que “alivia” o suprimento energético nos horários de maiores picos de demanda, poupando preciosos recursos hídricos.

See also

Setor Energético

20.05.22

Chuvas de março melhoram afluência da região Sul

Na Mídia

17.05.22

Barra Bonita é destaque em jornal Gazeta do Povo do PR

Geral

04.05.22

Tradener investe em energia limpa e renovável para um mundo em transformação

Setor Energético

28.04.22

Brasil alcançou a 6ª posição em ranking de energia eólica

Geral

27.04.22

Mês da criatividade e inovação com protagonismo da Tradener

07.04.22

Cidade de Pindaí onde empresa do grupo tem parque eólico celebra 60º aniversário

Setor Energético

23.03.22

Como a meteorologia impacta os preços da energia elétrica no Brasil?

Press Release

22.03.22

Tradener propõe Plano Nacional de 100 PCHs com geração de até 1 milhão de empregos

Press Release

22.03.22

Tradener fecha contrato inédito com a YPFB para trazer gás natural boliviano ao Brasil.

Press Release

22.03.22

Tradener cresceu quase 60% suas vendas de energia em MWh em 2021

Press Release

22.03.22

Tradener aumentou em 103% sua compra de energia no longo prazo.

Setor Energético

22.03.22

A importância da água na geração de energia elétrica.

Setor Energético

15.03.22

O que esperar da micro e mini geração distribuída x incentivos e crescimentos projetados?

Gás

07.03.22

Tradener fecha contrato inédito com a YPFB para trazer gás natural boliviano ao Brasil.

Setor Energético

22.02.22

PDE 2031: qual é a tendência da Matriz Energética Nacional para a próxima década?

Geral

17.02.22

Sua empresa está preparada para descarbonizar?

Setor Energético

10.02.22

Como está o processo de geração de energia eólica em mar brasileiro?

Setor Energético

09.02.22

A influência das chuvas na geração de energia eólica

Setor Energético

02.02.22

Energia Renovável no Brasil, o que esperar para os próximos anos?

25.01.22

Parabéns, São Paulo da garoa, da terra boa e da energia solar!

Geral

10.11.21

Como é o mercado de trabalho no setor de energia?

Mercado Livre

11.08.21

Como alcançar mais previsibilidade na fatura de energia elétrica?

Geral

25.03.21

Energia Eólica no Brasil e no mundo

%d bloggers like this: