A aposta da Tradener em geração renovável

Em entrevista, Walfrido Ávila explica planos da comercializadora, que incluem 230 MW em três parques eólicos e quase 70 MW em PCHs

Em entrevista, Walfrido Ávila explica planos da comercializadora, que incluem 230 MW em três parques eólicos e quase 70 MW em PCHs

Por Marcelo Furtado  Publicado em 18/09/2020

A Tradener é a primeira comercializadora de energia do país, fundada em 1998, e também a primeira a assinar um contrato com um consumidor livre, um ano depois, com a produtora de cloro-soda Carbocloro, de Cubatão (SP), que fechou na ocasião um PPA com a Copel, por sinal sócia na época da Tradener.

Passados 22 anos, e já consolidada como uma das principais comercializadoras do país, a empresa agora também quer ter papel pioneiro no mercado se consolidando como como agregadora de energia, com geração própria, disse ao EnergiaHoje o presidente da Tradener, Walfrido Ávila.

A ideia é complementar a “prateleira” da comercializadora com geração renovável, produto cada vez mais requisitado entre os consumidores livres, e que pode ser agregado a um pacote diversificado com vários tipos de energia para formar um contrato atrativo, explicou Ávila.

Esse tipo de estratégia de agregação até o momento é mais comum pelo caminho inverso: grandes geradores acabam por criar braços de comercialização para aproveitar a competitividade natural da energia produzida por suas usinas próprias.

Para ter mais detalhes da estratégia em geração da Tradener, leia a seguir os principais trechos da entrevista com Walfrido Ávila:

Quais os planos da Tradener com esses investimentos em geração?

Em primeiro lugar, atender aos nossos clientes que querem consumir energia renovável. Por isso resolvemos investir um pouco em cada uma delas, de maneira planejada e sem pressa. Mas a nossa ideia central é nos posicionarmos como geradores agregadores, agregando valor em pacotes com vários tipos de energia para os clientes da comercializadora. E é essa a nossa função, e não ser uma simples atravessadora, expressão que inclusive eu abomino.

E como estão os investimentos?

Colocamos em operação no fim de agosto duas unidades de 7,9 MW cada da PCH Tamboril, no município de Cristalina, em Goiás, projetos vendidos no leilão de reserva de 2016 e nos quais investimos R$ 150 milhões. Em janeiro do ano que vem começamos a construção de mais três PCHs no mesmo Rio São Bartolomeu da Tamboril, viabilizados no leilão do ano passado: a São Bartolomeu (12 MW), Salgado (16 MW) e Gameleira (14 MW). Estão com projetos e geologia prontas e máquinas compradas. Essas novas gerações vão agregar ao produto PCH que já temos próprio desde que adquirimos em 2018 os 67,5% da PCH Rondinha, no oeste catarinense, de 10 MW, na qual estamos em sociedade com a Celesc.

Mas o foco vai além das PCHs, não é?

Na verdade os maiores investimentos previstos são para as eólicas, que têm se mostrado uma fonte muito atrativa para os consumidores, com o melhor custo final entre as renováveis. Estamos em construção de um parque em Pindaí, na Bahia, de 80 MW, que ficará pronto em março de 2021. As obras estão muito adiantadas, com subestação e linhas prontas, e 85% das bases também finalizadas e com os equipamentos chegando conforme o fluxo de montagem. Serão 34 aerogeradores de 2,5 MW da Wobben, que também é sócia na usina.

Por que optaram pelos aerogeradores menores, já que agora há modelos superiores a 4 MW?

Foi uma questão de oportunidade na época da negociação, mas provavelmente foi o último pedido com essa potência da fornecedora. Daqui para a frente só vai ter oferta para os maiores e nos próximos projetos devemos usá-los.

Há mais eólicas nos planos?

Sim, temos um projeto em Chicolomã, de 90 MW, na região de Osório, no Rio Grande do Sul, e uma ampliação de um pequeno parque que operamos em Taíba, no Ceará, de 5 MW, e que planejamos ampliar em mais 60 MW. A qualquer momento podemos começar os projetos. Estamos só esperando a melhor hora para investir, já que o mercado de energia deu uma caída com a pandemia e a desvalorização cambial complica um pouco as negociações para compra de equipamentos. Mas esses dois investimentos, que devem ficar no total na casa dos R$ 400 a 500 milhões, em dois ou três anos já estão em pé.

Há oportunidades em compra de ativos em operação?

Sim, inclusive através do nosso fundo de investimentos, o FIP Pirineus, compramos neste ano em leilão 49% das ações do parque eólico Mangue Seco 2 (26 MW), em Guamaré, no Rio Grande do Norte, da Eletrobras. A Petrobras também vai vender a parte dela no parque (51%) no futuro e possivelmente vai nos interessar. Aliás, vamos continuar sempre em busca de oportunidades para agregar valor à energia que vendemos, queremos investir na infraestrutura nacional.

E a comercialização ainda sente os efeitos da desaceleração da economia?

A atividade dos consumidores do mercado livre, indústrias, comércios e empresas de serviços, está retomando de forma mais integral e por isso já sentimos o retorno em setembro para os níveis de comercialização de antes do pico da pandemia, em março.

Fonte: Brasil Energia

18.09.2020

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