Sem melhora no volume de chuvas no sul, preço da energia deve subir em junho

Diante de um cenário continuado de fraca hidrologia no Sul do País, o preço de liquidação das diferenças (PLD)...

São Paulo, 01/06/2020 – Diante de um cenário continuado de fraca hidrologia no Sul do País, o preço de liquidação das diferenças (PLD), utilizado como referência para as operações de compra e venda de energia no curto prazo, deve seguir em trajetória de queda neste início de junho. Comercializadoras ouvidas pelo Broadcast apontam para valores entre um patamar de R$ 95/MWh e R$ 105 MWh na primeira semana operativa de junho nos submercados Sudeste/Centro-Oeste e Sul, acima dos R$ 91,41/MWh da semana que se encerra hoje. A EDP Brasil fez uma estimativa mais precisa de PLD nos dois submercados em R$ 101/MWh na próxima semana operativa, que vai de 30 de maio a 5 de junho. Se confirmado, isso significa um aumento da ordem de 10% em relação aos R$ 91,41/MWh definidos pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) para esta semana. O novo valor do PLD será divulgado pela CCEE ainda hoje no período da tarde.

De acordo com o diretor de Comercialização e Gestão de Clientes da EDP Brasil, Pedro Kurbhi, o cenário hidrológico no Sul do País continuará ditando o ritmo dos preços de energia no mês de junho. O executivo explicou que o mercado já precificou a restrição do sistema de transmissão da usina Belo Monte, que será retirada em julho pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), bem como a redução da carga de energia por conta dos impactos na economia da pandemia do novo coronavírus. "O que restou de fator surpresa? O cenário de chuvas. Esse é um ponto que precisa ser monitorado", apontou o executivo.

Kurbhi comentou que, há três semanas, muitas comercializadoras, inclusive a própria EDP Brasil, trabalhavam com o cenário de PLD no piso no Sul e no Sudeste/Centro-Oeste, com a perspectiva de uma melhora no cenário hidrológico no Sul ao longo de mês de maio. "A gente foi vendo o Sul com uma resposta muito ruim de chuva. Na virada do final da semana passada, houve uma chuva na região, mas nessa semana inteira não houve precipitação", explicou o diretor da EDP Brasil.

Tradicionalmente, esta época do ano é marcada por uma maior recorrências de frentes frias, que é o principal fenômeno climatológico responsável pelas chuvas na região Sul do País. "Nesta época do ano, era para o Sul estar bastante úmido, com frentes frias entrando a cada dois ou três dias. Acontece que as frentes frias estão vindo uma vez por semana, com uma intensidade mais baixa do que as médias históricas. Isso acabou tendo um efeito nos preços do Sudeste e Sul", disse.

Após o esperado salto da ordem de 10% no PLD a partir da semana que vem, o comportamento do preço ao longo do mês divide os agentes. A EDP Brasil trabalha com a expectativa de estabilidade no PLD no Sul e no Sudeste, tendo em vista que o mercado já precificou as principais variáveis que afetam o mercado. Se as chuvas no Sul vierem, no entanto, os preços podem cair. "Todo ano tem uma chuva muito forte no Sul. Em 2018, teve. Em 2019, também teve, e isso afunda os preços. Esse ano, a gente não teve essa chuva no Sul, e ela pode aparecer a qualquer momento", disse.

Menos otimista, o presidente da Tradener, Walfrido Ávila, considera baixa a probabilidade de chuvas mais intensas no Sul. "Pode ocorrer, mas essa probabilidade é pequena", disse.

Para o presidente da Brasil Comercializadora de Energias, Eli Elias, o PLD deve subir, influenciado pela questão climática, seja por conta do baixo volume de precipitações nas bacias do Sul do País que vem sendo observado, seja pela redução das afluências (volume de água que chega aos reservatórios das hidrelétricas) na região Norte. "Deve ter uma abertura (do mês de junho) com preços perto de 100, mas na segunda quinzena de junho, como ENAs abaixo da media, o PLD pode subir para a casa de R$ 120 a R$ 130/MWh", comentou. Ele sugere que na média, o PLD do Sudeste/Centro-Oeste e do Sul devem ficar entre R$ 110/Mwh e R$ 120/Mwh, acima dos R$ 70/MWh na média de maio.

O presidente da Nova Energia, Gustavo Machado, tem percepção similar. "Com a redução das ENAs (Energia Natural Afluente) de Belo Monte e das usinas do Rio Madeira, a região Norte vai passar a enviar menos energia para o Sudeste", afirmou. De acordo com ele, o PLD pode chegar até R$ 150/MWh caso se configure em hidrologia mais seca no fim de junho. "Mas também pode ficar nessa faixa, de preço médio de junho entre R$ 95 a 115, a depender do cenário hidrológico", acrescentou.

Norte e Nordeste

Para os submercados Norte e Nordeste, a tendência é de continuidade do PLD no valor piso de R$ 39,68/MWh pelo menos para as primeiras semanas de junho. Elias e Machado salientaram que o preço deve começar a subir a partir da segunda quinzena do mês, tendo em vista a prevista redução das afluências a partir da segunda quinzena do mês, com o encerramento do período chuvoso nas áreas de influência das hidrelétricas do Norte do País.

"Para julho e agosto, prevemos que estas duas regiões não terão mais o deslocamento com os preços do Sudeste ou, se tiver, a diferença vai ser muito pequena", comentou o executivo da EDP Brasil.

Fonte: Broadcast Estadão

01.06.2020

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