Tradener prevê PLD na casa dos R$ 80/MWh na semana que vem, queda de até 56%

A hidrologia deve seguir favorecendo os preços de curto prazo de energia em março.

Por Luciana Collet

São Paulo, 28/02/2020 – A hidrologia deve seguir favorecendo os preços de curto prazo de energia em março. Segundo projeção da comercializadora Tradener, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), referência para as negociações no mercado de curto prazo de energia e para o pagamento de encargos, deve cair na próxima semana, seguindo a tendência de baixa já verificada ao longo de fevereiro. O PLD para os submercados Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Sul deve ficar no patamar de R$ 80/MWh, uma queda de até 56% em relação aos valores praticados na semana que se encerra hoje.

A esperada unificação dos PLD de Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Sul reverte o descolamento de preços entre estes submercados observado ao longo de fevereiro. Na última semana, o PLD do Sudeste estava em R$ 143,85/MWh, enquanto o preço no Nordeste foi calculado em R$ 125,80/MWh, e no Sul estava R$ 180,77/MWh, refletindo o cenário hidrológico mais desfavorável no Sul do País.

O presidente da Tradener, Walfrido Avila, comenta que a hidrologia que se observou a partir de fevereiro tem sido mais favorável ao enchimento do reservatório hidrelétricas, principalmente aquelas localizadas no Sudeste, Nordeste e Norte, favorecendo a redução dos preços. "Houve uma mudança climática, não é que deu enchentes, mas é uma hidrologia que há oito anos não acontecia: estamos saindo de um período muito seco para um período com mais chuvas, e isso pode durar alguns anos", diz, salientando se tratar de uma mudança "continental".

Segundo ele, esse volume de chuvas maior, em especial em áreas de influência das usinas, "é algo que o Brasil estava merecendo e vem em hora boa". "É bom para segurança do sistema e para o GSF (risco hidrológico); pelo menos para os próximos meses teremos um GSF favorável, bom para consumidores, porque afasta o perigo da bandeira vermelha, e para o sistema, porque dá segurança de que não vai faltar energia", acrescenta.

No caso do Sul, porém, a hidrologia continua a pressionar o armazenamento das hidrelétricas, mas o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tem adotado ao longo de fevereiro medidas para poupar água nos reservatórios, determinando até mesmo o desligamento de usina, além da importação de energia do subsistema Sudeste.

Ainda em meio a esse cenário e sem a perspectiva de chuvas mais volumosas no Sul no curto prazo, o Operador determinou o aumento da vazão na região, destaca Ávila, indicando que esse foi o principal fator a provocar a redução e alinhamento dos preços na primeira semana operativa de março. "Quando aumenta vazão no Sul, as térmicas não são acionadas, e grande parte dessas térmicas estão no Sudeste, por isso o preço cai no Sudeste", explica.

O executivo considera, no entanto, que ao longo de março podem haver ajustes na vazão e na carga dos submercados, o que podem levar a uma ligeira alta dos preços. Por isso, ele sugere que o PLD médio do mês provavelmente ficará em torno dos R$ 100/MWh.

Fonte: Broadcast Jornal Estado de S. Paulo

28 de fevereiro de 2020

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