Tradener chega aos 21 anos de olho na expansão de negócios

Empresa que fechou o primeiro contrato no mercado livre acredita na perspectiva de crescimento, mas volta a defender a abertura imediata do ACL a todos consumidores no país

Primeira comercializadora do país a ser autorizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica, a Tradener, com sede em Curitiba, comemorou 21 anos de existência no final de julho, o mesmo tempo que tem de atuação no mercado livre que ajudou a inaugurar. Ao ‘alcançar a maioridade’, como definiu o presidente Walfrido Ávila, a companhia estabelecida na cidade de Curitiba (PR), olha para o futuro com otimismo. No centro de suas atenções está a expansão do mercado livre com a possível abertura do setor e investimentos em geração de energia, um movimento que já está em execução pela companhia.
 
De acordo com Ávila, ainda há espaço para crescer e este é um bom momento para investir. Tanto que a empresa possui uma PCH em funcionamento, uma outra pequena central e um parque eólico em construção. A maior parte dessa energia será destinada ao mercado livre. Ao total, a empresa possui, segundo seus cálculos, um pipeline de 600 MW de potência.
 
“Claro que vamos colocar esses projetos gradualmente no mercado, não será de uma vez”, pontuou o executivo à Agência CanalEnergia. “Somente nos projetos que estamos tocando o investimento é da ordem de R$ 400 milhões, são quase 100 MW de potência instalada, a PCH em Cristalina, próximo a Brasília e a eólica estamos começando no sul da Bahia”, detalhou Ávila.
 
Apesar de indicar um aporte de cerca de R$ 4 milhões a cada MW de potência instalado, o executivo não crava que a companhia deverá realizar mais R$ 2,4 bilhões para o seu pipeline. Em sua avaliação, ao longo dos anos o valor para investimentos muda assim como a tecnologia que é empregada. O que ele afirma categoricamente é que a Tradener quer ser um bom player no mercado nacional por meio de ações que façam sentido econômico para manter-se saudável no ambiente de negócios.
 
Hoje a Tradener, comentou, está em uma casa de faturamento de cerca de R$ 2 bilhões ao ano. Esse é o resultado da negociação média que está entre 800 MW médios e 900 MW médios ao ano que atende a uma gama de 500 a 600 clientes em todo o país, indicou.
 
O presidente da companhia é um defensor de uma abertura ampla e irrestrita do mercado livre nacional. A empresa que fundou foi justamente para aproveitar a oportunidade que surgia em 1998. Ele lembra que foi necessário até a elaboração de um contrato de transporte de energia naquela época, que foi redigido em um dia entre a Tradener, a Aneel, distribuidoras e consumidor interessado em trazer para o Brasil a sua experiência de comprar energia diretamente do fornecedor que já existia em outros mercados.
 
“O começo foi difícil, ninguém queria fazer o contrato, o consumidor acreditava no mercado livre até por conta de sua experiência em outros locais do mundo. Não havia contrato de transporte o que dificultava ainda mais o cenário. As coisas andaram muito em função do posicionamento do Mário Abdo [ex-diretor geral da Aneel], foi ele quem bateu e chamou à mesa as partes. Havia vontade de fazer as coisas andarem e assim surgiu o mercado livre que temos hoje”, lembrou ele.
 
Ele se baseia nesse posicionamento de fazer acontecer para cutucar o governo na questão de abrir o mercado. Segundo ele, o mercado pode expandir a livre contratação para todas as classes de consumo. “Se a decisão for tomada, as empresas começam a se mexer para atender as demandas, o país começa a resolver de forma mais rápida as questões”, justificou Ávila. Em sua análise, até mesmo para os contratos legados é possível se dar uma solução antes do faturamento, pois o setor sabe que precisa de solução para a questão em um espaço de tempo determinado.
 
A abertura não seria limitada apenas ao consumo, mas os leilões abertos para os investidores que querem atender ao ACL, ao invés de ficarem restritos à demanda das distribuidoras, como ocorre atualmente.
 
Independente disso, o executivo afirmou que a Tradener tem como meta manter sua participação de mercado seja ele aberto da forma que defende, com as regras atuais (o que não o agrada) ou na perspectiva que a modernização do setor colocou na CP 33. Para ele, há espaço para crescer uma vez que cada vez mais o mercado livre passa pelo aumento dos consumidores que veem nesse ambiente a oportunidade de obter uma economia que pode ficar entre 20% a 30%, segundo cálculos da empresa. Mas, continua sua defesa ao ressaltar que “o setor tem que abrir e ser cobrado por isso. O país não pode crescer sem o mercado livre que injeta energia mais barata, que é o insumo base para a economia, se não abrir não cresce”, finalizou ele.

Fonte: Canal Energia
 

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